Trânsito nas grandes cidades é problema crônico, cuja solução depende de mudança social radical (fonte: Google)Este excesso ocupa um espaço tremendo, sendo o principal responsável pelo intenso tráfego que os curitibanos têm enfrentado nos últimos 10 anos. Não se espante, portanto, se levar até uma hora para ir do bairro Água Verde ao Centro, por exemplo.
As causas do problema não são nenhuma novidade:
1 - Facilidades de financiamento e negociação para se comprar um carro, novo ou usado. Já conheci parcelamentos de até 84 parcelas; 7 anos de financiamento.
2 - O desejo, o consumismo, o prazer de se apresentar como motorista e proprietário de um carro. O automóvel ganhou sentido de status, liberdade, maturidade, responsabilidade. A caríssimo preço, percebemos agora.
3 - Comodidade. Quem não prefere um carro limpo, com ar-condicionado e som, ao invés do transporte público? Compra-se um carro para confortar o transporte. Não há mal nenhum nisso, é claro, se não fosse pelo próximo item...
4 - O mais importante! Dentro da cultura moderna, NÃO existe o hábito da carona. Creio que 80% dos usuários de carro saem de um mesmo lugar, e vão para um mesmo lugar, no mesmo horário, em vários carros diferentes. Vão sozinhos, fechados em suas famílias, crentes de que seus problemas são só seus, e que o vizinho do prédio é um estranho e chato, indigno de estar em sua companhia. Não sabemos viver em sociedade. Zangar-se com a lentidão do trânsito, é zangar-se com o próprio consumismo e apatia humanas.
Concordo com o argumento de muitos, quando se queixam do transporte público abarrotado, caro, e desconfortável, principalmente. Mesmo que Curitiba seja uma cidade modelo no transporte público (o que é verdade se, e somente se, compararmos Curitiba com outras cidades com sistema de transporte inferior), ainda asssim há funcionários mal pagos, estressados e descontentes, que, por isso, realizam mal seu serviço. Concordo também que bicicletas não são tão boa idéia, assim. Tenho testemunho próprio: circulo pela cidade há dois meses de bicicleta (e, por isso, como muitas bananas e evito câimbras; daí o nome do Blog!). Ciclistas nunca tiveram vez: são desprezados, atropelados, e têm péssimas condições no tráfego. Acrescento, aliás, que os ciclistas também não coloboram, muitaz vezes. Além, é extremamente desconfortável ir ao trabalho de bicicleta, principalmente depois do almoço, quando estamos de barriga cheia, sujeitos ao clima instável da cidade, e a chegar suados no trabalho? Sem chance.
Sendo assim, a única saída plausível, no momento, é oferecer/pedir (seja cara de pau, sim, e peça gentilmente um lugar) carona. Uma mudança geral de Cultura. Ao invés de ostentarmos no peito a falsa imagem de Capital Ecológica, nós curitibanos deveríamos ostentar algum orgulho só depois de entrar no elevador (este ambiente maldito, onde somos obrigados a usar da etiqueta!) e perguntar ao vizinho: "Aonde vai? Quer uma carona?"
Poderemos, então, nos orgulhar de algo realmente novo e concreto: Capital Solidária. A poluição e trânsito, depois disso, serão meros detalhes, cujos dias estarão contados.
Mudamos, ou morremos. Cabe a nós.
A vida é uma escolha. Você se ‘habilita’, curitiBANDO?
.:na batida:. Paulinho da Viola - Sinal Fechado























